A força da memória e da representatividade ganha espaço na literatura infantil com a indicação da escritora Ângela Xavier, coordenadora da Casa de Cultura de Gravataí, como finalista do Prêmio Açorianos de Literatura. A autora concorre na categoria Infantil com a obra “A Lanceirinha”, que propõe uma releitura sensível da história dos Lanceiros Negros na Revolução Farroupilha.
O livro apresenta uma narrativa em forma de fábula, conduzida pela personagem Aisha, que descobre o passado por meio das histórias contadas por seu avô, João. A trama destaca o protagonismo negro e feminino, articulando elementos de afeto, ancestralidade e resistência para aproximar as novas gerações de um capítulo muitas vezes negligenciado da história gaúcha.
Com três décadas dedicadas à Educação, Ângela Xavier afirma que a indicação ao prêmio simboliza o reconhecimento de uma trajetória comprometida com a valorização de narrativas historicamente invisibilizadas. Segundo a autora, a proposta da obra é dialogar com o imaginário infantil sem abrir mão da dimensão histórica. Ela também ressalta a colaboração do ilustrador Alisson Affonso e o apoio da Editora Libretos na concretização do projeto.
Considerado um dos mais importantes reconhecimentos culturais do estado, o Prêmio Açorianos de Literatura reúne obras em nove categorias, incluindo poesia, conto, dramaturgia e narrativa longa. A cerimônia de premiação está marcada para o dia 27 de abril, no Teatro Renascença. Na categoria Infantil, Ângela disputa o prêmio com outras duas autoras: Martina Schreiner, com “Meu!”, e Milene Barazzetti, com “As palavras de Melina”. A presença da escritora entre os finalistas evidencia a relevância da produção literária de Gravataí e reforça o papel da literatura como ferramenta de educação, identidade e transformação social.
*Informações e foto: Prefeitura de Gravataí















