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Home Perfil do negócio

EB Consórcio se reposiciona com foco em formação de patrimônio e cria grupo exclusivo de empresários

Jornalismo - Giro de Gravataí por Jornalismo - Giro de Gravataí
27 de setembro de 2026
em Perfil do negócio
EB Consórcio se reposiciona com foco em formação de patrimônio e cria grupo exclusivo de empresários

Uma mudança iniciada em novembro de 2025 está redesenhando a atuação da EB Consórcio em Gravataí. Prestes a completar 17 anos no mercado, a empresa fundada por Edy Block passou por um reposicionamento que amplia o foco para além da comercialização tradicional de consórcios e coloca a formação de patrimônio, o relacionamento com empresários e a gestão de oportunidades de crédito no centro da estratégia.

A principal expressão dessa nova fase é o Aldeia Club, grupo exclusivo estruturado pela EB para reunir empresários e investidores em torno de operações de maior valor. A iniciativa cria um ambiente gerenciado pelo próprio escritório para clientes que, após a contemplação, podem ter interesse tanto em negociar seus créditos quanto em adquirir oportunidades disponíveis dentro da carteira.

O movimento é resultado de uma leitura feita por Edy sobre as mudanças no comportamento dos clientes e no próprio mercado de consórcios. Depois de mais de uma década e meia no segmento, ela percebeu que parte da carteira já não procurava apenas uma cota para financiar a compra futura de um bem. Havia empresários interessados em utilizar o consórcio dentro de um planejamento financeiro mais amplo.

Às vésperas de completar 17 anos de atuação, empresa fundada por Edy Block muda sua estratégia, amplia o portfólio de administradoras e lança o Aldeia Club, iniciativa voltada a empresários e investidores com operações de maior valor.

“Passamos por uma transição muito importante em novembro de 2025, uma transição de postura da EB perante o mercado. O mercado tem exigido isso, assim como o cliente. Nós somos a ponte entre o dinheiro e o sonho”, afirma.

A mudança também alterou a forma como a empresa prospecta clientes. Se a demanda espontânea ainda está fortemente associada à compra de veículos, a estratégia comercial da EB passou a mirar especialmente empresários e investidores interessados na construção de patrimônio no médio e longo prazo.

“Mesmo quando o cliente procura uma cota para adquirir um veículo, é comum que ele também opte por outras voltadas a investimento e formação de patrimônio, pensando em ter, mais adiante, um bem que possa gerar renda e se pagar com o aluguel”, explica.

Consórcio como estratégia patrimonial

A mudança de abordagem começa antes da definição da cota. A EB passou a estruturar o atendimento a partir do objetivo financeiro do cliente. A intenção é identificar primeiro o que aquela pessoa pretende construir — comprar um imóvel, ampliar patrimônio, investir ou formar uma reserva para uma aquisição futura — e somente depois definir valores, grupos e administradoras.

Essa lógica exige conhecer as características de cada grupo e também trabalhar com diferentes possibilidades de composição das cotas. Um investidor interessado em R$ 500 mil de crédito, por exemplo, não necessariamente precisa contratar uma única cota nesse valor. Dependendo da estratégia e das condições disponíveis, a operação pode ser dividida em cinco créditos de R$ 100 mil.

Edy cita o número de sorteios como uma das variáveis observadas nesse planejamento. Em uma administradora que realize sete sorteios mensais em determinado grupo, cinco cotas colocariam o cliente em diferentes oportunidades de contemplação ao longo do período.

“A minha função é conhecer os grupos e entender o que ele quer fazer com esse dinheiro lá na frente. Se é um investidor que quer contemplar, eu preciso olhar para a quantidade de oportunidades que ele terá”, explica.

A análise também pode resultar em uma orientação diferente daquela inicialmente imaginada pelo cliente. Segundo a empresária, uma parte importante do trabalho está justamente em estabelecer limites entre expectativa e possibilidade.

“Nem sempre a ideia do cliente está de acordo com o mercado. Às vezes, mostramos que aquilo que ele pensa em fazer não é possível daquela forma e construímos outro caminho.”

É nesse ponto que a EB tenta deslocar a discussão do produto para o planejamento. Em vez de apresentar somente prazo, parcela e valor da carta, o escritório passou a projetar cenários de médio e longo prazo, especialmente em operações imobiliárias.

A tese defendida pela empresa é de que o consórcio pode integrar uma estratégia gradual de aquisição de ativos, desde que o cliente tenha capacidade financeira, horizonte de tempo e entendimento sobre as regras e incertezas envolvidas na contemplação.

Aldeia Club nasce de uma oportunidade no mercado de contempladas

O segundo pilar do reposicionamento surgiu da movimentação das próprias cartas depois da contemplação.

O mercado de créditos contemplados tem espaço relevante dentro do setor. Em determinadas situações, o titular é contemplado, mas decide não utilizar o crédito para adquirir o bem inicialmente planejado. A carta, então, pode ser negociada, observadas as regras e a aprovação da administradora responsável.

Tradicionalmente, empresas especializadas podem adquirir esses créditos por determinado valor para posteriormente revendê-los. A diferença entre compra e venda faz parte da remuneração desse mercado.

Foi observando essa dinâmica que Edy decidiu testar outro caminho dentro da própria carteira. No Aldeia Club, a EB pretende aproximar interesses que já existem entre seus clientes. Se um integrante tiver um crédito contemplado e quiser negociá-lo, a oportunidade pode ser apresentada aos demais participantes que estejam buscando uma carta nessas condições.

Em vez de necessariamente comprar o crédito para depois revendê-lo, o escritório passa a gerenciar a aproximação entre as duas pontas da operação. “Quem vende consegue vender melhor do que se estivesse vendendo para mim. Quem compra paga menos do que se estivesse comprando de mim”, resume Edy.

À primeira vista, a estrutura significa abrir mão de uma margem que poderia ficar com a própria EB na intermediação tradicional. Edy sustenta, porém, que o retorno está na construção de um ecossistema capaz de manter o empresário dentro da carteira e gerar novas operações.

“Eu deixo de ganhar aqui, mas ganho na cota nova em que aquela pessoa vai participar do clube”, explica.

O modelo foi direcionado inicialmente a empresários e clientes convidados pela empresa, especialmente em operações a partir de R$ 500 mil. A entrada não funciona como adesão aberta: a EB identifica perfis que considera adequados à proposta e apresenta o funcionamento do grupo.

Privacidade como regra dentro do clube

Embora a palavra “grupo” esteja no centro da proposta, o Aldeia Club não foi concebido como uma rede aberta de relacionamento entre todos os participantes. A EB permanece como intermediadora das informações e das oportunidades. Um empresário não precisa saber quem são todos os demais integrantes nem expor suas operações financeiras para participar.

A empresa também formulou uma ferramenta digital para organizar esse fluxo. Quando existe uma oportunidade decorrente de uma contemplação, os participantes podem receber a informação e indicar se têm interesse. A partir daí, o escritório conduz os contatos necessários.

O cuidado, segundo Edy, surgiu das próprias características do público empresarial. “Tu faz parte do Aldeia e a outra pessoa também, mas os dois não precisam ter contato. Tem empresário que não quer que outras pessoas saibam o que ele está comprando ou vendendo. Então esse é um cuidado nosso.”

Para a empresária, essa combinação entre uma carteira selecionada, operações de maior valor e gerenciamento centralizado diferencia a iniciativa de grupos convencionais de networking. “Pelo menos aqui no Rio Grande do Sul, eu não conheço esse movimento”, afirma.

Uma mudança importante: mais de uma administradora

O reposicionamento também provocou uma mudança estrutural na EB. Durante boa parte de sua trajetória, a empresa trabalhou exclusivamente com uma administradora. Essa relação começou a mudar quando Edy percebeu que clientes recorrentes chegavam ao escritório sem necessariamente perguntar qual empresa administraria o consórcio.

Na avaliação dela, era um sinal de que a confiança construída ao longo dos anos estava associada à própria EB e ao atendimento prestado pelo escritório. “Eu comecei a perceber que o cliente da EB não perguntava qual era a administradora com que eu trabalhava. Aquilo me fez entender que eu não precisava trabalhar única e exclusivamente com uma administradora.”

Em novembro, a empresa comunicou a abertura para novas administradoras. A alteração aumentou o número de produtos disponíveis, mas também mudou o papel da equipe. Com mais alternativas na mesa, o escritório precisa comparar características dos grupos para decidir qual estrutura se aproxima mais do objetivo apresentado por cada cliente.

Atualmente, a Serello ocupa posição de destaque nas operações da EB. A administradora está ligada ao empresário Germano Grings e ao grupo GG10, que possui atuação em diferentes segmentos empresariais.

Para Edy, a possibilidade de trabalhar com mais de uma administradora é coerente com o novo posicionamento: o cliente não deveria ser encaixado no único produto disponível; a empresa é que deve procurar, dentro do portfólio, uma solução compatível com o planejamento apresentado.

Uma sede grande quando o mercado apostava no online

Se o reposicionamento ganhou forma a partir de novembro de 2025, algumas das decisões que hoje sustentam a estratégia foram tomadas antes. Uma delas foi a mudança da EB de um escritório pequeno para uma estrutura física maior em Gravataí. A decisão ocorreu em um momento no qual parte do mercado acelerava digitalização, reuniões remotas e processos de venda online.

Edy ouviu questionamentos sobre a necessidade de manter uma estrutura desse porte quando praticamente todo o processo de contratação já poderia ser realizado digitalmente. “Muita gente nos chamou de loucos. Por que um espaço tão grande se estava tudo cada vez mais online?”

A empresária enxergava outra necessidade. Na avaliação dela, quanto maior a relevância financeira da decisão, maior também seria a importância de oferecer ao cliente a possibilidade de sentar, conversar e compreender a operação presencialmente.

A sede acabou assumindo uma função que vai além do atendimento cotidiano. O local passou a receber empresários, reuniões e apresentações de produtos, transformando o espaço físico em uma ferramenta de relacionamento.

“Hoje tem gente procurando espaços maiores para reunir empresários e apresentar produtos, mas está trancada em uma sala de 30 metros quadrados porque, até então, a ideia era de que tudo seria online”, compara.

Para Edy, o componente físico ganha ainda mais relevância quando o assunto é patrimônio. “Quando a gente fala do teu dinheiro e precisa entender teu propósito, a sede gera credibilidade.”

A conexão com Gravataí entra na estratégia

A construção do Aldeia Club também aproximou a EB de entidades empresariais de Gravataí. Antes de consolidar o formato, Edy conversou com instituições da cidade e encontrou uma dificuldade que, segundo ela, não estava restrita ao seu negócio: criar conexões capazes de gerar oportunidades qualificadas e manter a roda comercial em movimento.

Um dos encontros do Aldeia Club ocorreu na Acigra e serviu para apresentar a empresários diferentes cenários envolvendo crédito, contemplação e formação de patrimônio.

A dinâmica passa por simulações. A empresa apresenta determinado valor e demonstra como diferentes períodos de contemplação — 12, 24 ou 30 meses, por exemplo — poderiam interferir na estratégia daquele empresário.

Depois de uma dessas reuniões, um casal que já integrava a carteira decidiu contratar mais R$ 500 mil em créditos. Segundo Edy, outros contatos também surgiram a partir dos encontros.

Mas a relação com o empresariado local não é vista apenas como canal comercial. Para a fundadora da EB, acompanhar as transformações econômicas de Gravataí ajuda a entender o comportamento de quem empreende, investe e forma patrimônio na cidade.

“É ter a visão do hoje para planejar o amanhã. A nossa visão é de mercado financeiro, mas eu preciso ter visão de pessoas e de cidade. O que foi Gravataí ontem, o que é hoje e qual é a projeção para o futuro?”

Essa leitura ajuda a explicar também a escolha do nome Aldeia. A referência remete às raízes de Gravataí e à antiga Aldeia dos Anjos, mas também foi escolhida pela ideia de pertencimento.

Princípios cristãos seguem como parte da identidade

A transformação comercial não alterou outro elemento construído ao longo da trajetória de Edy Block: a presença dos princípios cristãos na identidade da empresa. Na avaliação da empresária, esses valores aparecem principalmente na forma de conduzir as relações comerciais, sobretudo diante de produtos que envolvem dinheiro, expectativa e decisões de longo prazo.

“A gente não vende em cima da emoção, não vende em cima de uma proposta que não existe. A gente vende em cima de uma verdade. É muito propósito caminhando junto.”

Essa identidade também levou à formação do Conec — Conexão de Empresários Cristãos, grupo direcionado a empreendedores que compartilham a identificação com a fé cristã.

Edy faz questão, no entanto, de separar a identidade da empresa do perfil de quem pode ser atendido. Segundo ela, o escritório mantém os princípios que orientam sua conduta sem condicionar o relacionamento comercial à crença do cliente.

Edy Block completa em fevereiro 17 anos de atuação no mercado de consórcios. A trajetória começou em Gravataí e atravessou diferentes fases de um segmento que também mudou profundamente nesse período. Agora, a empresária considera que a EB entra em um novo ciclo.

A venda tradicional de consórcios permanece na operação, mas deixa de explicar sozinha a estratégia da empresa. O escritório quer aumentar a participação de empresários na carteira, trabalhar o crédito dentro de planejamentos patrimoniais e usar o Aldeia Club para conectar oportunidades que antes poderiam sair da própria base de clientes.

Há ainda um próximo movimento sendo preparado. A EB estuda a abertura de uma nova unidade em uma região onde já possui clientes e atuação comercial. Edy evita antecipar a localização enquanto a definição não estiver concluída, mas confirma que o projeto faz parte dos próximos passos.

Tags: EB ConsórcioEdy BlockEspecialGiro De GravataíGravataí
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