O Outubro Rosa é um período importante para reforçar a prevenção e o diagnóstico precoce, principalmente do câncer. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 79 mil casos de câncer de mama e 20 mil casos do colo do útero são diagnosticados no Brasil anualmente. No Rio Grande do Sul são aproximadamente quatro mil mulheres com neoplasia de mama e setecentas com malignidade do colo do útero todos os anos. Esses dados alertam para a importância da prevenção e também para o cuidado com a saúde da mulher como um todo.
No caso do câncer de mama, não é preciso esperar encontrar um nódulo em autoexame para buscar orientação de um médico. Atualmente, as principais sociedades médicas já recomendam que não se estimule o autoexame como forma de prevenção, porque a mão de quem examina não consegue sentir alterações em fases iniciais. O importante é não entrar em pânico e também não ignorar o achado. O médico vai avaliar a idade, as características do nódulo e, quando indicado, solicitar exames de imagem.
A mamografia é um desses exames rápidos e primordiais para o diagnóstico precoce. Não existe nenhum outro exame que a substitua. Ela envolve a compressão da mama, que pode causar desconforto ou dor passageira, mas o procedimento dura poucos segundos. E vale lembrar: o incômodo é momentâneo, mas o benefício do diagnóstico pode ser enorme!
Já em relação ao colo do útero, é importante ficar atenta ao papilomavírus humano (HPV). O HPV é um vírus muito comum, transmitido principalmente pelo contato sexual, e alguns tipos causam lesões que, ao longo dos anos, podem evoluir para câncer, especialmente o do colo do útero, nas mulheres, e o de orofaringe, nos homens. A boa notícia é que temos métodos muito eficazes de prevenção: a vacinação e o uso de preservativo. Também podemos realizar o rastreamento adequado do colo do útero, durante as consultas de rotina. É uma doença em que a prevenção realmente faz muita diferença.
Visita regular ao ginecologista faz diferença
As visitas ao médico devem ser periódicas e não acontecerem somente quando surgirem mudanças no nosso corpo. O ginecologista, muito mais do que tratar sintomas, atua com a prevenção de doenças. Não existe um checklist igual para todas as mulheres. Os exames necessários dependem da idade, do histórico pessoal e dos fatores de risco. Mas, de forma geral, é preciso manter o rastreamento do câncer do colo do útero, o calendário de vacinação (especialmente contra HPV) e a mamografia na faixa etária indicada. Mais importante do que realizar muitos exames é fazer os certos, na hora certa.
Cada fase tem prioridades diferentes. No início da vida reprodutiva, por exemplo, entram em pauta a vacinação, a contracepção, a prevenção de ISTs e a saúde sexual. Já na idade adulta, o foco passa para os rastreamentos de câncer e a avaliação dos fatores de risco. Na menopausa, é preciso olhar também para a saúde óssea e cardiovascular, os sintomas do climatério e o estilo de vida. Por isso, o acompanhamento deve ser individualizado.
Sobre a menopausa, é importante salientar que ela não acontece de um dia para o outro. Existe uma transição, chamada menopausal, em que o ciclo pode ficar irregular. Ocorrem ondas de calor, alterações do sono, mudanças de humor, redução da libido, ressecamento vaginal, entre outros sintomas. A menopausa é definida quando a mulher completa 12 meses consecutivos sem menstruar. Existem tratamentos para os sintomas.
Estilo de vida e saúde mental também importam
A saúde da mulher é resultado de vários fatores. Alimentação, atividade física, sono, consumo de álcool e de cigarro, controle de peso, estresse e saúde mental podem contribuir para o desenvolvimento de diversas doenças. Mas é importante não transformar isso em culpa: não existe um único alimento ou comportamento que determine se uma mulher terá ou não uma doença. O objetivo é construir hábitos sustentáveis ao longo da vida.
Corpo e mente não funcionam separadamente. Estresse crônico, ansiedade e alterações do humor podem interferir no sono, na alimentação, na percepção da dor e até no ciclo menstrual. E o contrário também acontece: alterações hormonais, doenças e sintomas físicos podem afetar a saúde mental. Por isso, cuidar da saúde da mulher também significa perguntar como ela está se sentindo. O bem-estar psicológico também é fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento de doenças.
*Dra. Bruna Rossi é ginecologista do Hospital Dom João Becker. A médica concedeu uma entrevista ao programa Papo de Saúde desta semana. Clique aqui para assistir a edição.














