
No próximo domingo (26), no Brasil e em Portugal, será comemorado o Dia dos Avós. Diferente de outros anos, muitos vovôs e vovós não poderão receber os seus filhos e netos, por conta do isolamento social. A situação é ainda mais difícil para aqueles que estão em clínicas, como no Residencial Geriátrico Três Figueiras, em Gravataí. A administradora da instituição, Rubia Santos Lima, revela que os idosos não têm um contato mais próximo com os familiares desde o início do distanciamento.
Nas últimas semanas, com o agravamento da pandemia, o lar não tem permitido visitas, até o túnel do abraço teve que ser paralisado. No entanto, uma data tão importante não poderia passar em branco e o presente veio antecipado. Na manhã desta sexta-feira (24), a clínica realizou o Correio da Esperança. O que parecia ser apenas uma manhã aproveitando o sol, acabou se tornando uma grande surpresa para os moradores do Três Figueiras. Sentados, um a um ouviu seu nome ser chamado para receber suas correspondências.
Todos os idosos receberam cartas de seus familiares e compartilharam o momento da leitura com seus colegas. Alguns, contaram com a ajuda da Nathalia Santos lima, funcionária, como o caso da Eloá, avó de Kátia Santos. Mesmo que as duas mantenham contato telefônico, a neta, que vive em Florianópolis não deixou de escrever para a avó. “”Sei que vai passar logo e estaremos juntas. Não esquece que estou aqui e lembra que precisamos ainda caminharmos juntas, mesmo que devagar. Segura firme que tudo passa”, dizia um trecho do texto, ouvido atentamente pela avó, enquanto seus olhos iam ficando marejados, até o momento em que ela agradeceu com a voz embargada.
Nathalia também leu a carta de Flamarion para o pai, Ivo Mariano. A saudação bem-humorada da carta “Oi, Carecone, digo, Dom Cabelo”, foi respondida com um simpático “Sem vergonha!”. E a cada trecho que a funcionária lia, Seu Ivo ia respondendo.
E assim foi com cada morador da instituição de longa permanência. Rubia ficou feliz com o resultado da ação. “Foi uma reação incrível. Eles levaram um susto que eles não sabiam. E aí, a gente vestiu o meu genro de carteiro e fomos para a rua de manhã. E aí o carteiro chegou gritando, ‘uma carta para o fulano.”
Com 93 anos, Hilda Paim gravou um depoimento em nome de todos os idosos, comentando a alegria de receber as correspondências. “Fiquei muito contente. Tenho muita amizade, saudade delas. Vontade de ver elas pessoalmente. Mas se eu não posso ver agora, eu fiquei contente deles se lembrarem de mim e mandarem cartinhas. Minhas vizinhas de alvorada, minha nora, minha neta. todos eles me escreveram. Meu filho, Zé Nélson Paim, ele também escreveu para mim. Fiquei muito contente”.













