
“Meu nome é Fernanda, tenho 38 anos, e sou vítima de violência doméstica. Convivi com meu ex-companheiro por 19 anos. Sempre era agredida verbalmente, mas nunca tive coragem de tomar a decisão e colocar um basta. O tempo foi passando e fui acreditando que um dia iria mudar e melhorar, mas não.
Quando finalmente decidi pedir a separação, as coisas pioraram, até que aconteceu a agressão com hematomas e machucados. Foi então que comecei a ser ameaçada até pela família, para sair da casa onde tive até a minha água cortada. Fui agredida mais vezes, até não aguentar.
Minha vida, virou um inferno, tendo que ficar trancada dentro de casa, ouvindo gritos de ameaças. Até que em janeiro de 2019 ele invadiu a casa, querendo me matar, quebrando as coisas, mas eu não estava e acabou sobrando pra nossa filha e meu genro.
Fui expulsa de casa, jogaram minhas coisas na rua pela família dele. Foi então que tomei coragem e registrei o fato solicitando as medidas protetivas de urgência. Foi difícil, viver com medo, mas tenho anjos nas nossas vidas que estão me acompanhando nesta nova etapa. Sou grata pela ajuda da Maria da Penha. Sou grata pelo um abraço amigo que elas nos trazem”, destacou Fernanda, uma das vítimas, atendida pela Patrulha Maria da Penha em Gravataí.

Patrulha Maria da Penha faz a diferença na vida das vítimas
Diariamente inúmeros são os registros e pedidos de socorros, de mulheres que vivem histórias parecidas com a da Fernanda. Em Gravataí a situação se repete, sempre na mesma dinâmica. Mulheres pedindo socorro. Em algumas situações o medo e a dependência financeira fazem com que muitas fiquem com receio de denunciar as diárias agressões físicas e verbais sofridas.
Na manhã desta segunda-feira (31), a Patrulha Maria da Penha de Gravataí, que protege e salva a vida de mulheres vítimas de violência, foi às ruas de diferentes bairros em endereços de vítimas. As ações preventivas e rotineiras têm por objetivo acompanhar as medidas protetivas vigentes e servem até mesmos como uma espécie de atendimento psicológico para aqueles que carregam os traumas de um relacionamento criminoso.
Além da conversa e das orientações, as visitas na manhã de hoje trouxeram um alento a mais para as mulheres. Cestas básicas e até fraldas para as mamães foram entregues pela patrulha através de doações. Na parte da tarde, as fiscalizações se intensificaram com a Operação Marias, desencadeada em 98 municípios e que justamente busca reduzir os indicadores de violência doméstica e familiar contra a mulher no Rio Grande do Sul, especialmente em tempos de pandemia do novo coronavírus.













