Quando o estado de calamidade pública se instaurou no Rio Grande do Sul devido à catástrofe climática, um grupo de Cachoeirinha prontamente disponibilizou seu tempo ao voluntariado com as crianças acolhidas em abrigos da região. Formado por uma equipe multidisciplinar (bacharel em Direito, arquiteta, escritora, atores, professores, estudantes de Psicologia, Publicidade e Moda), o coletivo tem realizado diariamente contações de histórias nas instituições que acolhem famílias desabrigadas em razão das enchentes.
O projeto foi intitulado “Histórias Solidárias” e reúne atualmente 22 voluntários. “Comecei no sábado, dia 4 de maio, sozinha. Na segunda, éramos 10. Na quarta, 20”, recorda a escritora e contadora de histórias Rosane Castro, satisfeita por ver várias pessoas abraçando a causa em prol do público infantil. Ela está coordenando a iniciativa e revela que um aspecto preocupou os integrantes: o compartilhamento nas redes sociais de histórias infantis com temas que remetem às enchentes e graves impactos na vida das pessoas. “Não é o momento adequado para esse tipo de leitura”, frisa.
Rosane explica que os contadores de histórias têm estudado dia a dia as intervenções que farão nos abrigos. “Fizemos um workshop para nos preparar e uma curadoria das obras”, comenta.
Frente aos materiais que viralizaram e não vem a agregar às ações voluntárias com as crianças, instituições também alertam sobre o assunto. Este é o caso da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FACED/UFRGS), que elaborou uma cartilha com dicas para quem vai trabalhar leituras com as crianças, mencionando, inclusive, obras que devem ser evitadas.
Esse material pode ser conferido aqui:
Com vasta experiência como arte-educadora e contadora de histórias, Rosane também disponibiliza em suas redes sociais algumas dicas. As orientações são dirigidas a quem deseja contar e mediar histórias nos abrigos:
“Algumas sugestões surgem a partir da experiência que acumulamos ao trabalhar nos abrigos desde o início desta tragédia. As pessoas perderam não apenas famílias e bens materiais, mas também suas memórias. Objetos pessoais e fotografias carregam significados profundos, e essa perda resulta em danos emocionais irreparáveis”, relatou Rosane Castro em post no Instagram.
“Nosso objetivo é oferecer uma atividade lúdica e literária de qualidade, com consciência e preparo. O grupo de voluntários está empenhado em aprender como lidar com situações de crise, mantendo a calma para agir da melhor maneira possível, e respeitando o espaço emocional das pessoas. Propomos momentos de reflexão antes e depois de cada atividade, visando melhorar nossa abordagem no dia seguinte. Nosso desejo é contribuir para garantir a dignidade e, acima de tudo, a humanidade das pessoas afetadas”, declara a coordenadora dos contadores de histórias voluntários.
Fotos: Divulgação


























