Nas últimas semanas, pelo menos cinco moradores de Gravataí foram alvo de um golpe que usa o nome de advogados para enganar vítimas e obter dinheiro de forma fraudulenta. A prática, que já vem sendo registrada em diversas partes do país, levou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a emitir um alerta e divulgar uma cartilha detalhada com orientações para evitar prejuízos.
Os criminosos entram em contato com clientes de escritórios de Advocacia e se passam por advogados ou assistentes jurídicos. Com informações sobre processos judiciais em andamento – que muitas vezes estão disponíveis publicamente nos sistemas dos tribunais –, os golpistas alegam que há valores a serem liberados, mas que, para isso, é necessário um depósito antecipado. As transações ocorrem geralmente via Pix, tornando a recuperação do dinheiro ainda mais difícil.
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou à reportagem do Giro de Gravataí que recebeu uma mensagem de um suposto advogado informando sobre a liberação de um valor relacionado a um processo previdenciário. O golpista utilizava um número de telefone diferente do contato habitual do escritório, mas o nome e a foto de perfil eram os mesmos do profissional que representava o caso.
“Ele sabia detalhes do meu processo, mencionou valores exatos e me passou confiança. Pediu para que eu fizesse um pagamento de R$ 2,5 mil via PIX, dizendo que era uma taxa necessária para agilizar a liberação do dinheiro. Depois que fiz a transferência, tentei contato novamente e não obtive resposta. Foi quando percebi que tinha caído em um golpe”, contou a vítima.
Outro caso semelhante envolveu uma mulher que estava aguardando o recebimento de uma indenização trabalhista. “Eles disseram que faltava um último pagamento para concluir a liberação do valor. Como eu estava ansiosa por esse dinheiro, acabei transferindo R$ 3 mil. Só fui descobrir que era golpe quando entrei em contato com meu advogado verdadeiro e ele disse que não havia solicitado nada”, afirmou.
Como o golpe funciona?
De acordo com a cartilha divulgada pela OAB, o golpe do falso advogado pode ocorrer de diversas formas. As principais táticas utilizadas pelos criminosos incluem:
- Invasão ou clonagem de WhatsApp: O golpista assume o número de telefone do advogado ou do escritório e passa a se comunicar com os clientes como se fosse o profissional legítimo.
- Uso de números aleatórios: Os criminosos criam perfis falsos no WhatsApp e redes sociais, utilizando fotos e logotipos de escritórios de advocacia para ganhar credibilidade.
- Phishing: Mensagens falsas são enviadas por e-mail ou SMS, redirecionando a vítima para sites fraudulentos que coletam dados pessoais e bancários.
- Engenharia social: Os golpistas estudam o perfil da vítima e usam informações reais sobre processos judiciais para convencê-la a fazer pagamentos indevidos.
O crime se aproveita do fato de que muitos processos judiciais são públicos, permitindo que criminosos acessem detalhes sobre valores, datas de pagamento e outros dados que aumentam a credibilidade da farsa.
O que fazer em caso de golpe?
A OAB orienta que qualquer pessoa que suspeite ter sido vítima do golpe tome as seguintes medidas imediatamente:
- Guardar todas as provas: Prints das conversas, números de telefone utilizados pelos golpistas, comprovantes de pagamento e qualquer outra informação que possa ajudar na investigação.
Registrar um Boletim de Ocorrência: A denúncia deve ser feita na delegacia mais próxima ou pela delegacia virtual da Polícia Civil.
Informar o advogado verdadeiro: Caso o nome de um profissional tenha sido utilizado no golpe, ele deve ser comunicado para que tome as devidas providências junto à OAB.
Monitorar acessos ao processo: Nos sites dos tribunais (como TRF3, TRT2 e TRT15), é possível verificar se terceiros consultaram os autos de forma indevida.
Como evitar o golpe?
A cartilha da OAB reforça que a melhor forma de se proteger contra esse tipo de fraude é a prevenção. Algumas recomendações fundamentais incluem:
- Verificar contatos oficiais: Clientes devem confirmar os números de telefone, e-mails e redes sociais que pertencem ao advogado ou escritório antes de realizar qualquer pagamento.
Desconfiar de solicitações inesperadas: Nenhum advogado legítimo pede pagamentos antecipados via Pix para liberação de valores judiciais.
Confirmar pessoalmente: Caso receba uma solicitação de pagamento, o cliente deve entrar em contato diretamente com o advogado ou ir até o escritório para verificar a veracidade da informação.
Divulgar alertas nas redes sociais: Escritórios de advocacia podem utilizar seus canais oficiais para informar clientes sobre a existência do golpe.
Atuação da OAB e medidas futuras
A OAB tem adotado uma postura ativa para combater essa modalidade de golpe. Além da cartilha informativa, a instituição tem buscado parcerias com órgãos de segurança para intensificar o monitoramento e investigação dos casos.
Segundo representantes da Ordem, uma das preocupações é evitar que advogados sejam injustamente responsabilizados por atos cometidos por golpistas. “Muitos clientes, ao perceberem que caíram em um golpe, inicialmente culpam o advogado. É fundamental que os profissionais estejam atentos e orientem seus clientes sobre como identificar contatos fraudulentos”, destaca a entidade.
Diante do crescimento dos casos, a OAB também defende que sejam implementadas medidas para restringir o acesso indiscriminado a informações de processos judiciais, dificultando a ação de criminosos que exploram dados públicos para aplicar golpes.
Enquanto novas medidas são discutidas, a recomendação principal da OAB é a conscientização da população. “Quanto mais informação os clientes tiverem, menor será a chance de caírem nesse tipo de golpe. A Advocacia precisa estar vigilante, e a sociedade deve sempre buscar confirmação antes de realizar qualquer pagamento”, reforça a cartilha.














