Eu, jornalista André Valdez, autointitulado “O Garimpador Musical” e um “Chicobuarqueano confesso”, declaro oficialmente aberta a Semana Chico Buarque de Holanda, alusiva ao octogenário do artista carioca.
Chico, o poeta, dramaturgo, escritor, compositor, cantor, cronista e pensador. Chico e suas muitas facetas: o malandro; suas mulheres; o político; engajado nas lutas sociais; o denunciante menestrel da desigualdade social… Chico, que nos alerta para consciência de classe, o romântico, o infantil, o lúdico e o lírico.
Conclamo a todos Chicobuarqueanos, assim como eu, a fazerem uma singela e difícil lista de 7 canções preferidas deste artista multifacetado, que se autodeclara “um compositor de coração suburbano e um reles cantor de festim, com sua voz chinfrim” e que, mesmo assim, não tardou em nos alertar que iria até o fim.
Nada mal para quem, além de ser modesto, ainda nos alertou em tom professoral: “Não se afobe não, que nada é pra já…” Parafraseando o igualmente genial, eterno velho tropicalista baiano, “e que o Chico Buarque de Holanda nos resgate e (xeque-mate!)…”

Convite aos fãs de Chico Buarque
André Valdez lança em suas redes sociais, nesta segunda-feira (17/6) à noite, a proposta de que todos os fãs de Chico listem suas canções prediletas do artista, que é um ícone da Música Popular Brasileira (MPB). Para começar a própria seleção musical das inesquecíveis obras de Chico Buarque, o jornalista destaca “Pedro Pedreiro”, composição do primeiro álbum. Para acompanhar os posts em homenagem ao cantor, siga @andrevaldez.santos no Instagram ou acesse o perfil do Facebook.
Aos tantos Pedros Brasileiros e suas pedreiras
Lançada em 1966, em seu primeiro LP, a música “Pedro Pedreiro” reflete as condições sociais da época, mas que permanecem atuais ao retratar a realidade de muitos trabalhadores, que se veem presos em uma rotina de esperas e desilusões. Ou seja: Chico além de atemporal, também é genial!
Retratando a vida de um trabalhador comum, que passa seus dias em uma rotina de espera, a letra esperançosa, e ao mesmo tempo resiliente, narra a resignação de Pedro, que aguarda por melhorias em sua vida. Espera o aumento salarial prometido para o mês seguinte, o trem que o leva ao seu enfadonho trabalho, e até mesmo eventos mais significativos, como o Carnaval e a sorte grande no bilhete federal.
Abordando temas como a monotonia e a estagnação da vida do trabalhador, que fica evidenciada na premeditada repetição exaustiva do refrão, a canção mostra que apesar de sonhar, o personagem se conforma com a sua realidade. A música também retrata a espera de acontecimentos do ciclo vital e inevitáveis, como o nascimento de um filho e a própria morte.
O protagonista da canção de Chico representa a esperança descrita como “aflita, bendita, infinita”, dando a entender que, apesar de ser uma força motivadora, também pode ser uma fonte de angústia e desespero.
Desde tenra idade, Chico já chamava à atenção ao demonstrar toda sua genialidade e poder de síntese. Conhecido por possuir letras que frequentemente tocam em temas sociais e políticos, utilizou nesta composição, especificamente, a figura de Pedro para representar a classe trabalhadora brasileira, sempre à espera de promessas não cumpridas.
Salve, salve Chico Buarque!
Foto de capa: Ricardo Nunes















