O Seminário São José, em Gravataí – símbolo católico da Região Metropolitana, encerrou suas atividades de formação após 87 anos. Os últimos cinco seminaristas da etapa do propedêutico foram transferidos para Porto Alegre no início deste semestre, concluindo o processo que levou a Arquidiocese de Porto Alegre a reorganizar sua estrutura de formação religiosa. As informações foram confirmadas pelo jornalista Marcos Koboldt.
Segundo o bispo-auxiliar, dom Juarez Albino Destro, a principal razão para o encerramento na cidade é a necessidade de oferecer aos jovens um espaço mais adequado e estruturado. Ele lembra que o prédio abriga também a Casa de Retiros, responsável por encontros, eventos e atividades religiosas, cuja operação no passado ajudava a financiar parte das obras previstas na área destinada aos seminaristas.
“A proposta sempre foi concluir a reforma da ala habitacional com recursos provenientes da Casa de Retiros. Essa etapa ainda não foi finalizada e, agora, o plano é retomar o projeto para, então, definir o destino do prédio — seja mantendo-o totalmente voltado a retiros e eventos, seja reservando novamente parte para formação”, complementa dom Juarez.
Fundado em 1938, o Seminário São José nasceu a partir de um amplo movimento da comunidade católica local e do contexto de expansão da vida religiosa no Estado. As obras começaram em 1936 e seguiram até a inauguração em 19 de março de 1938, data escolhida por coincidir com a festa litúrgica de São José e o jubileu de 25 anos de episcopado de dom João Becker, então arcebispo de Porto Alegre.
Nos primeiros anos, a formação esteve sob responsabilidade dos Jesuítas, que administraram o seminário até 1950, quando a arquidiocese assumiu diretamente o comando. À época, a instituição ocupava uma área de 300 hectares, hoje reduzida a cerca de 10 hectares.
Com o passar das décadas, o seminário acompanhou transformações da Igreja e da educação. Em 1967, adaptando-se às diretrizes do pós-Concílio Vaticano II, passou a se chamar Escola Vocacional São José, incorporando leigos e religiosos ao corpo docente e reorganizando seu currículo para o ensino regular. Nesse período, parte das turmas foi transferida para o Seminário São João Vianney, em Bom Princípio, e foi criado o Curso de Aperfeiçoamento, voltado a preparar os seminaristas para os estudos superiores.















