Com poucos recursos, eles já fizeram muito. Agora, com melhores condições, as possibilidades ampliaram, as expectativas cresceram e, sobretudo, a vontade de aprender foi fortalecida. Alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Osório Ramos Corrêa, de Gravataí, são destaque da robótica na região, embora a instituição tenha iniciado as atividades na área há apenas dois anos. Atual campeã do Torneio Municipal de Robótica, a EMEF celebra mais uma conquista importante, que certamente renderá um novo capítulo em sua jornada pela Ciência e Inovação: a Osório é a única participante da cidade no programa Mais Ciência na Escola.

Trata-se de uma iniciativa do Governo Federal, por meio dos Ministérios da Educação e Ciência, Tecnologia e Inovação, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O objetivo é estimular o protagonismo estudantil, a busca por conhecimento e a cultura da colaboração através da abordagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática). Para tanto, materiais e equipamentos são fornecidos para trabalhos em laboratórios maker.
Em edital, lançado no ano passado, a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) propôs a criação da Rede de Saberes Articulando Ciência, Criatividade e Imaginação (Rede SACCI), na qual seriam implementados mais de 40 laboratórios maker pelo Rio Grande do Sul. O projeto foi contemplado e, com isso, entidades parceiras estão sendo beneficiadas. Cada região tem uma instituição de ensino superior como referência – para a EMEF Osório é o Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul). A escola de Gravataí foi selecionada para compor a rede justamente pelo trabalho que realiza na área de robótica.
O caminho inicial
Na EMEF Osório Ramos Corrêa, o programa Mais Ciência na Escola é coordenado pela professora Aline Delevati, que foi a responsável por incentivar os estudantes a trabalharem com a robótica, mesmo quando ainda não havia recursos suficientes. “Quando voltei para a escola, em 2023, comecei a trabalhar a robótica com os alunos. Articulei com equipes de robótica locais para virem aqui, trazerem materiais, fazerem oficinas”, recorda.
Com o envolvimento dos alunos crescendo, a escola buscou alternativas para qualificar as atividades. Primeiro, conseguiu um kit LEGO junto à Secretaria Municipal da Educação. Depois se inscreveu em um edital do Instituto Positivo e conquistou mais três kits de robótica. Empenhados, alguns estudantes resolveram participar do Torneio de Robótica de Gravataí, e o resultado foi o melhor possível. A aliança foi campeã e o grupo obteve ainda premiações com projetos de inovação e pela engenharia do robô.
Mais recursos à disposição
Hoje, a escola conta com duas equipes de robótica, The Phoenix e Tech Hunters, e possui o Clube de Ciências, que se reúne semanalmente no contraturno (alunos do sexto ao oitavo ano). Além disso, estudantes do terceiro ao nono ano participam de oficinas. O laboratório está disponível a todas as turmas, como forma de fomentar o interesse por Ciência, Tecnologia e Inovação.
Ao ser contemplada no edital do Governo Federal, como integrante da Rede SACCI, a Escola Osório ganhou vários equipamentos para o Laboratório Maker, tais como impressoras 3D, tablets, notebooks, canetas 3D, kits de robótica, ferramentas e materiais escolares. Além disso, dez alunos receberam bolsas CNPq para desenvolver projetos de iniciação científica. Eles começaram este trabalho em agosto e serão contemplados com a bolsa por um ano.
As duas professoras que lideram as atividades de robótica também ganharam especializações – Aline Delevati está fazendo uma pós em Robótica e Priscilla Aguiar, que atua com as turmas da manhã, realiza uma especialização em Matemática para o Laboratório Maker.
Os alunos estão maravilhados com os equipamentos recebidos, que permitirão avanços no desenvolvimento dos projetos e testes. “É ótimo para a aprendizagem deles, há atividades de raciocínio lógico, para trabalharem em equipe, resolverem problemas e eles têm autonomia”, salienta a coordenadora do Mais Ciência na Escola, acrescentando que a qualificação do laboratório também contribuirá para a inserção dos alunos no “mundo digital”.
Perspectivas de desenvolvimento
Enquanto conhece os novos recursos do Laboratório Maker, o Clube de Ciências da Escola Osório Ramos Corrêa também está focado na preparação para o 4º Torneio de Robótica de Gravataí, que acontecerá em outubro, com a participação de mais de 40 equipes. A reportagem do Giro de Gravataí conversou com alguns estudantes que são bolsistas do CNPq sobre o interesse por esse segmento e como os aprendizados têm impactado na rotina escolar e pessoal.
João Pedro Quadros, que é uma das lideranças do grupo, revela que ingressou na EMEF Osório há dois anos, quando o trabalho de robótica estava começando. Ele explica que já se interessava pela área, porém a instituição na qual estudava não desenvolvia essas atividades. “Pensei: esse era meu sonho desde criança. Então vou entrar para essa equipe”, salienta o estudante, que já na primeira competição comemorou a vitória ao lado da equipe.
A medida em que foi conhecendo a robótica, João se identificou com a programação e projetos de pesquisa. Para ele, a montagem de robôs é a parte mais desafiadora do processo. Essa é uma das principais habilidades de Gabriel dos Santos, estudante que gosta de aprender sobre a parte elétrica e buscar as melhores alternativas para a eficiência dos robôs. “Ele é aquele aluno curioso, que desmonta tudo em casa para montar de novo”, comenta a professora Aline ao elogiar a criatividade do jovem.
Para Daniela Dorr Vargas, a robótica tem trazido benefícios que vão além da sala de aula. Ela aponta que está aprendendo a lidar com aparatos tecnológicos e melhorando a comunicação, pois as atividades no Laboratório Maker, especialmente as de pesquisa, têm ampliado o vocabulário e aprimorado a oratória. “Aqui é um lugar para aprender bastante coisa. Comecei do zero e todo dia aprendo uma coisa nova. Está muito mais fácil mexer num computador, desenrolar um texto”, exemplifica.
Integrante da Rádio Osório, Pedro Caetano é outro bolsista que não abre mão de oportunidades para aprender mais e percebe na robótica um universo de muitas possibilidades. “Todo dia eu aprendo. E descubro que não sei de nada ainda”, brinca ao relatar que o conhecimento traz uma nova visão de mundo. “Você pode enxergar uma realidade diferente, ver coisas que pareciam não estar ali antes”, frisa o estudante, que tem gostado bastante de se dedicar à pesquisa.
Fotos: Priscila Milán/Giro de Gravataí


















