O impacto da cheia no Rio Grande do Sul vai além dos números, revelando uma realidade alarmante de acúmulo de lixo. De acordo com um estudo da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ONU) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), já são 47 milhões de toneladas de detritos acumulados. Esse volume supera até os resíduos gerados em conflitos, como a guerra na Faixa de Gaza.
Diante desse cenário, os trabalhadores da limpeza pública nos municípios gaúchos enfrentam jornadas exaustivas para limpar as ruas. Em Porto Alegre, 800 garis se dedicam diariamente à coleta de lixo, agora operando sete dias por semana, conforme relata o coletor Alexsandro Dias Capela Júnior.
Em Canoas, a situação é semelhante, com 120 caminhões e 40 retroescavadeiras mobilizados diariamente para remover os entulhos das 70 mil residências afetadas. O secretário municipal de Serviços Urbanos de Canoas, Lucas Lacerda, descreve a magnitude do desafio, com praticamente casas inteiras sendo despejadas nas calçadas.
A prefeitura estima que o conteúdo de uma única casa enche um caminhão, resultando em quase 4 mil viagens até um ponto de transferência para um aterro dentro do Parque Ambiental de Gravataí – complexo privado para o tratamento de resíduos. Diversas áreas de descarte foram estabelecidas no estado para agilizar a limpeza e reduzir os custos operacionais.
Foto: Ana Godoy/Divulgação













