Em junho de 1986, o porto-alegrense Nairo Kubaski, que residia em Gravataí, decidiu colocar em prática o projeto que tinha de comandar o próprio negócio. Havia desfeito uma sociedade e acreditava que esse era o momento de empreender. Com experiência no ramo de fabricação de estofados, fundou a Maville, que passou a produzir peças para lojistas, sobretudo da capital gaúcha. Quase 40 anos depois, a empresa se mantém como uma referência nesse nicho, mas com a maior parte de sua clientela em São Paulo e no Rio de Janeiro. Atualmente, a administração é feita em conjunto com os filhos, Maira e Marne.
Nairo revela que a vontade de administrar o próprio negócio nasceu antes da abertura da Maville. Formado em Ciências Contábeis, ele atuou na área financeira de um banco por cerca de sete anos até sair e se tornar sócio de uma fábrica de estofados em Porto Alegre. Sua colaboração fez com que a empresa crescesse e mudasse para uma sede maior, no Distrito Industrial de Alvorada. Nessa época, seu envolvimento em todas as etapas do processo de produção fez com que começasse a projetar móveis, ofício que desempenha até hoje.
As dificuldades provenientes da oscilação do mercado, oriunda principalmente da inflação no país, começaram, todavia, a desgastar o negócio e a parceria. “Tínhamos que comprar mercadorias, fabricar o móvel, vender para o lojista e ainda dar prazo para os lojistas. Com a inflação, isso não combinava”, recorda o empresário. Começou a idealizar outro empreendimento, no entanto no mesmo segmento. Decidiu então desfazer a sociedade e iniciou sua jornada com o intuito de escrever uma nova história. “Comecei praticamente do zero, com uma costureira e um funcionário”, relata Nairo ao recordar que os contatos e vínculos comerciais anteriormente criados foram fundamentais no início da trajetória.
Em um prédio alugado entre as ruas Otávio Schemes e Barbosa Filho, a Maville conquistou os primeiros clientes. Na medida em que os negócios prosperavam, a fábrica pôde expandir. Por iniciativa da filha Maira, que trabalha na empresa desde os 14 anos, na década de 90 foi adquirido um terreno maior na Otávio Schemes, 1520. À frente das negociações, a gestora viabilizou, posteriormente, a compra de mais duas áreas, totalizando 2,2 hectares para a instituição, que inaugurou o espaço no ano 2000. Atualmente, além da fábrica, há um showroom de sofás e poltronas.
Em instalações maiores, a empresa de estofados chegou a contar com 60 funcionários e fortaleceu a marca no eixo Rio-São Paulo, estados onde fica a maioria dos lojistas que compram as peças confeccionadas em Gravataí. Problemas burocráticos, contudo, levaram a remodelação do negócio. Segundo Nairo, os planos econômicos dos governos da época, causaram vários transtornos para as pequenas e médias empresas brasileiras. Com persistência, tudo foi, gradativamente, sendo resolvido. Criatividade e, novamente, o espírito de liderança da filha Maira foram fundamentais nesse período.
“Eu acho que o empresário brasileiro é um dos melhores do mundo pela capacidade que tem de estar sempre se reinventando”, destaca Nairo ao enfatizar que excessivos tributos e frequentes mudanças impostas pelo Governo prejudicam as empresas, principalmente as de pequeno e médio porte. A organização precisou se adaptar a um novo cenário, passando a operar como Ravizza Indústria de Móveis e investir cada vez mais em peças de alto padrão.
Essa transformação fez com que a fábrica se consolidasse no mercado de São Paulo e Rio de Janeiro. Há anos, sofás fabricados em Gravataí fazem grande sucesso em lojas do Sudeste do país, atraindo muitos clientes do ramo artístico e televisivo, entre os quais Camila Pitanga e Bruno Gagliasso. A Maville também participou de vários cenários da televisão, principalmente em novelas e programas, como o humorístico “Sai de baixo”.
A exclusividade, sofisticação e durabilidade das peças produzidas na cidade são alguns dos aspectos que contribuíram para a solidez do negócio, que agora é formado por uma equipe de profissionais com um grande conhecimento no ramo de estofados. Alguns têm bastante tempo de firma – a funcionária mais antiga está desde o início das atividades da Maville.
Nairo também atribui a consolidação da marca ao perfil inovador, atento às tendências do mercado e dedicação do time. “O estudo tem que ser permanente, do mercado e das tendências da arquitetura e do design mundial. Temos que estar sempre buscando informações. Nós fabricamos moda”, frisa o empresário, que costuma participar de feiras nacionais e internacionais do ramo moveleiro.
Fotos: Priscila Milán/Giro de Gravataí
















