Em evento na última terça-feira (28/10), em Gravataí, a Elo – Organização de Apoio à Adoção anunciou o lançamento de uma iniciativa para oferecer suporte contínuo e especializado para a transição à vida adulta de adolescentes em situação de acolhimento (abrigos), com foco especial nos jovens de 15 a 18 anos. O “Projeto Elo Futuro” surge como uma resposta à realidade de que a maioria dos pretendentes à adoção busca bebês, deixando milhares de crianças e adolescentes mais velhos ou em grupos de irmãos sem a chance de uma família definitiva.
Segundo dados apresentados no evento, enquanto 37 mil candidatos aguardam por filhos no Sistema Nacional de Adoção (SNA), menos de 8 mil crianças estão aptas, geralmente com mais de 10 anos, compondo o público de maior vulnerabilidade. O presidente da ONG Elo, Peterson Rodrigues, explica que o objetivo é promover um desligamento saudável dos abrigos e prevenir o abandono ou a “devolução” (reversão da adoção), que ainda é uma triste realidade.
“A adoção tem que ser legal, segura e para sempre. O que vemos muito são devoluções. Nós precisamos ser a mão que ajuda essa criança a transicionar. Quando o jovem completa 18 anos, o poder público tem dificuldade de dar essa continuidade,” afirma.
Eixos de atuação
– Oficinas Socioeducativas: Trabalho de autoestima e resgate do sentimento de pertencimento e merecimento.
– Projeto de Vida e Cidadania: Auxílio na apropriação dos espaços culturais e sociais, e desenvolvimento de habilidades básicas, como o uso do e-mail e a criação de currículo.
– Preparação Profissional e Social: Rodas de conversa e suporte para entrevistas de emprego e inserção no mercado de trabalho, atuando como o “braço” de apoio que os abrigos, sobrecarregados, não conseguem oferecer integralmente.
Nova sede e necessidade de profissionalização
A Elo, que é totalmente voluntária e hoje capacita os pretendentes à adoção em 140 Comarcas do RS, alcançou uma importante vitória: a conquista de uma nova sede no Centro de Gravataí, próxima aos abrigos, através de um edital do Fundo de Recuperação dos Bens Lesados do Ministério Público e Ministério Público do Trabalho.
No entanto, para o “Projeto Elo Futuro”, a organização enfatiza a necessidade de recursos humanos pagos (psicólogos, assistentes sociais, coordenadores), pois a natureza complexa e contínua do acompanhamento não é sustentável apenas com voluntariado.
Um dos pontos centrais do evento foi o apelo para que empresas e pessoas físicas destinem parte do seu Imposto de Renda (IR) ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). Especialistas em Contabilidade destacaram o enorme potencial inexplorado: no Rio Grande do Sul, apenas 6% do potencial de destinação é efetivado. Em Gravataí, esse número cai para apenas 3% (R$ 52 milhões destinados de um potencial de R$ 852 milhões).
“Nós perdemos 97% de um dinheiro que pode ir diretamente para projetos como esse. Se cada um de nós passar isso adiante e pedir ao seu contador para destinar, os 3% na declaração de Pessoa Física ou 1% do Lucro Real de Pessoa Jurídica, a gente pode transformar”, salientou a contadora Sandra Baumgartner no encontro.
*Informações e foto da ONG Elo.















