
“E Clarisse está trancada no banheiro, e faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete. Sentada num canto, seus tornozelos sangram…”. O trecho da música Clarisse, composta por Renato Russo, retrata a realidade de muitos jovens com depressão, que acabam se mutilando, outros, alimentam pensamentos suicidas, enfrentam enormes dificuldades. “As vezes, sinto que não tenho forças para levantar da cama, como se todas as minhas energias fossem sugadas”, contou uma adolescente com depressão que não será identificada.
Na mesma música, o cantor escreveu: “viver em dor, ninguém entende. Como se toda esta dor, fosse diferente, ou inexistente”. Neste sentido, conversar com quem enfrentou o mesmo tipo de problema, pode fazer diferença. Desde 2017, pessoas de Gravataí, Glorinha e Cachoeirinha podem contar com o auxílio do grupo Help, formado por jovens voluntários, muitos dos quais também já enfrentaram problemas parecidos. Com conversa, eles buscam apoiar quem está enfrentando dificuldades e mostrar que existem saídas.
“Também propomos muitas atividades pelo Instagram, nossa ideia é manter a pessoa ativa, com a mente ocupada” revelou à reportagem do Giro de Gravataí William Chaves Corrêa, coordenador-geral do projeto em Gravataí. Ele também explicou que os voluntários não estão sozinhos no auxílio. “Temos o apoio de psicólogos, orientação. Nunca vou falar nada que eu não saiba”, comentou.
Outra ação para ajudar os jovens que enfrentam dificuldades emocionais é o “Cantinho do desabafo”, em que a pessoa pode se abrir, falar sobre suas emoções, coisas que não consegue falar com a família. “Muitas vezes, os pais não ligam”, analisou o coordenador. Sem uma sede física, algumas atividades acontecem no Parcão de Gravataí, outras na parada 58 em Cachoeirinha.

Entre as ações para divulgar o trabalho, estão a produção de cartas. “Espalhamos cartas pela cidade a fim de que chegue para essas pessoas para que possam entrar em contato conosco, afinal todos os integrantes do grupo já passaram por algum desses problemas,” contou William.
O coordenador ainda explicou que a ajuda não é exclusiva para jovens, mas que eles são a maioria. “Os jovens são mais propícios, eles estão se descobrindo e as vezes isso é difícil”, observou. Para buscar ajuda, basta clicar no link e preencher os dados solicitados. “É importante dizer que é gratuito, não temos fins econômicos”, ressaltou William.














