A transferência dos restos mortais do cônego Pedro Wagner de Gravataí para Glorinha, prevista para este domingo (26), abriu um impasse entre comunidades católicas das duas cidades. A informação sobre o traslado chegou aos fiéis gravataienses por meio de um convite para participação nas cerimônias religiosas, o que provocou surpresa e repercussão.
A movimentação integra as celebrações dos 150 anos da presença católica em Glorinha, antigo distrito de Gravataí, e foi autorizada pela Mitra e pela Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria. Os restos mortais estavam sepultados no cemitério municipal de Gravataí.
O processo de transferência foi iniciado formalmente em 2025, ano em que se completaram 50 anos da morte do religioso, ocorrida em 1975. Cônego Pedro Wagner é considerado uma das principais figuras da história religiosa local, com atuação ligada à Igreja Matriz Nossa Senhora dos Anjos por cerca de 45 anos, entre 1913 e 1958.
A iniciativa de transferência partiu do padre Manoel Scheimann da Silva, que atua há nove anos em Glorinha e se dedica à pesquisa histórica. Biógrafo do cônego e com formação em História, o sacerdote sustenta que o traslado tem caráter de reconhecimento à trajetória de Pedro Wagner. O padre foi ouvido pelo site Seguinte, que trouxe detalhes sobre a motivação e o processo de transferência.
Do lado de Gravataí, a repercussão foi marcada por surpresa e questionamentos. O padre Léo Hastenteufel, da Paróquia Nossa Senhora dos Anjos, afirmou que a comunidade local foi informada poucos dias antes da transferência, o que contribuiu para o sentimento de insatisfação entre fiéis.
Entre moradores ligados à igreja, a principal crítica recai sobre a ausência de diálogo prévio e a forma como a decisão foi comunicada. Também há questionamentos quanto à rapidez do processo, diante da percepção de que a medida já estaria consolidada no âmbito institucional.
Além da atuação em Gravataí, registros históricos indicam participação do religioso na organização da presença católica em Glorinha. Entre as contribuições atribuídas a ele estão a construção de igrejas na localidade ainda em 1915 e o lançamento da pedra fundamental de uma nova matriz em 1949.
A programação do traslado prevê a realização de um Terço Mariano na Paróquia Nossa Senhora dos Anjos, em Gravataí, seguido por uma procissão motorizada que percorre comunidades do interior até a chegada em Glorinha. A acolhida definitiva está prevista para a terça-feira, com missa solene no município vizinho.















