A 48ª Expointer encerrou neste domingo (7), no Parque Assis Brasil, em Esteio, marcada por um contraste expressivo: público recorde e retração significativa nos negócios. Foram mais de 1 milhão de visitantes ao longo dos nove dias, um crescimento de 52,57% em relação ao ano passado, o que garantiu movimento intenso nos corredores mesmo em dias de semana. No entanto, o volume de negócios fechados somou R$ 4,4 bilhões, queda de 45,7% na comparação com 2024.
O setor de máquinas e implementos agrícolas, tradicional motor da feira, foi o mais afetado, com R$ 3,7 bilhões em vendas, metade do registrado no ano anterior. Segundo a diretora-executiva do Simers, Ana Paula Werlang, o endividamento dos produtores e a incerteza gerada pelo chamado tarifaço afastaram os compradores. O secretário estadual da Agricultura, Edivilson Brum, também apontou os eventos climáticos como fator decisivo para a retração, lembrando que muitos produtores não colheram o esperado e, por isso, adiaram investimentos.
Outro ponto de preocupação foi a origem das negociações: quase 60% das compras vieram de fora do Rio Grande do Sul. Para o vice-presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, o dado reforça a relevância nacional da Expointer, mas impacta a indústria e o comércio locais.
Na contramão, a agricultura familiar comemorou resultados. O pavilhão registrou R$ 13,6 milhões em vendas, alta de 25% em relação ao ano anterior, mostrando a força do setor em meio à crise. O artesanato também cresceu, com R$ 2 milhões em negócios, avanço de 33,3%. Já no comércio, o tombo foi de 66%, com R$ 15,8 milhões, enquanto as vendas de animais chegaram a R$ 15,4 milhões, queda de 18,5%. O setor automobilístico manteve estabilidade, com R$ 591,8 milhões movimentados.
O balanço final mostra que a Expointer se consolidou como vitrine nacional, reunindo público recorde e mantendo a relevância, mas com produtores cautelosos e negócios bem abaixo do esperado, reflexo direto das dificuldades enfrentadas pelo agronegócio gaúcho em 2025.














