
Era final da noite do dia 19 de outubro de 2016 quando a Rua Monteiro Lobato, uma das mais ermas do bairro Águas Claras, foi sitiada por cerca de 15 homens que desembarcaram de três veículos. Todos fortemente armados, alguns portando metralhadoras e até um fuzil. Moradores, na época, relataram à reportagem uma sequência de disparos.
Em seguida, a saída abrupta dos veículos na rua. No meio, mais próximo do cordão da calçada, o corpo de Maicon Teixeira da Silva, de 25 anos, com exatas 45 perfurações a bala. O caso chocou a comunidade, e naquela noite atestava para uma onda de crimes que ocorreriam, já que horas antes, uma outra execução havia sido registrada no bairro Cohab C.
Pouco avançou a investigação da Polícia Civil nos dois crime. Em especial o de Maicon, já que pelas características sua morte tratava-se de uma desavença, muito possivelmente por conta da relação com o tráfico de drogas. Mais de quatro anos depois, uma delação premiada revelou a morte de Maicon, ocorrida por engano.
Segundo o delator, que hoje integra o Programa de Proteção e Auxílio a Testemunhas Ameaçadas do Rio Grande do Sul (Protege – RS), pelo menos três lideranças de uma organização criminosa se reuniram com o objetivo de executar o matador de uma facção rival, e que estaria escondido no bairro.
Ao chegar no local, identificaram Maicon achando ser o alvo, e abriram fogo. Ao todo, 15 pessoas foram indiciadas pelo crime. No mês de fevereiro deste ano a juíza Valeria Eugenia Willhelm decretou os pedidos de prisão preventiva de todos os acusados. Eles possuem envolvimento com a organização Bala na Cara. Conforme o delegado Ricardo Milesi, titular da Delegacia de Homicídios, a delação atribuiu ao grupo seis execuções ocorridas entre Gravataí e Canoas.

Operação abalou a estrutra dos Balas
Foi a partir da mesma delação que a polícia desencadeou no dia 03 de agosto uma operação para desbaratinar a organização criminosa e seus tentáculos. Ao todo, 250 policiais cumpriram mais de 80 ordens judiciais para coibir a expansão do grupo, que além do tráfico de drogas passou a atuar também na contravenção através das máquinas caça-níqueis e da política, com a eleição do vereador Juca Soares (PSD) – irmão de Tiago da Silva Soares, o Pequeno – chefe da organização criminosa em Cachoeirinha.














