A prova de vida do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), exigida para a manutenção de aposentadorias, pensões e outros benefícios de longa duração, passou por mudanças nos últimos anos. Desde janeiro de 2023, a verificação é realizada principalmente pelo cruzamento de informações de bases governamentais e entidades parceiras, dispensando, na maioria dos casos, o comparecimento presencial.
O advogado Rodrigo Veiga Lima, que atua há 20 anos no Direito Previdenciário e possui escritório em Gravataí, explica que o INSS utiliza registros de atividades cotidianas para confirmar a situação dos segurados. Entre eles estão atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), vacinação, emissão de documentos, declaração do Imposto de Renda e participação nas eleições.

Segundo dados do governo federal, em abril de 2026, o INSS contabilizava aproximadamente 41,8 milhões de beneficiários ativos, dos quais cerca de 20 mil tinham 100 anos ou mais. Entre os centenários, aproximadamente 17 mil recebiam um salário mínimo, equivalente a R$ 1.621. Os pagamentos destinados a essa faixa etária somavam cerca de R$ 40 milhões mensais, aproximadamente R$ 500 milhões por ano.
A fiscalização dos pagamentos também foi objeto de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgada em julho de 2025. O levantamento identificou R$ 4,4 bilhões pagos a pessoas com indícios de falecimento entre 2016 e 2025, considerando benefícios previdenciários, assistenciais, trabalhistas e remunerações do serviço público. Na última competência analisada, aproximadamente R$ 28,5 milhões ainda eram pagos mensalmente nessas condições.
Como funciona a comprovação
Antes das mudanças, aposentados e pensionistas precisavam comparecer periodicamente aos bancos responsáveis pelos pagamentos. Com a automatização, o INSS passou a utilizar dados compartilhados por diferentes órgãos para identificar movimentações que comprovem a vida do segurado.
Quando não é possível realizar a validação automaticamente, o cidadão pode ser notificado pelos canais oficiais para regularizar a situação.
Segundo Rodrigo, o procedimento pode ser feito pelo aplicativo ou site Meu INSS, mediante reconhecimento facial, quando disponível, ou diretamente na instituição financeira pagadora, com a apresentação de documento oficial com foto. Outra alternativa é buscar orientações pela Central 135.
A situação cadastral pode ser consultada na opção “Prova de Vida”, disponível no Meu INSS, que informa a data da última atualização.
Cuidados contra golpes
Um dos principais alertas do especialista envolve as fraudes praticadas contra aposentados e pensionistas. Criminosos utilizam informações sobre benefícios e processos judiciais para se passar por representantes de instituições públicas ou profissionais da advocacia.
Entre as modalidades identificadas está o golpe do falso advogado. Nesses casos, os criminosos obtêm fotografias e informações de profissionais que atuam em processos previdenciários e entram em contato com os clientes, solicitando pagamentos para uma suposta liberação de valores judiciais.
Em algumas situações, os golpistas alegam a necessidade de pagamento de um Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) ou de taxas inexistentes.
Rodrigo ressalta que a prova de vida não exige transferências financeiras e recomenda que os segurados não compartilhem senhas, documentos ou informações bancárias com desconhecidos.
O INSS também alerta que não envia servidores às residências para realizar o procedimento. Embora utilize mensagens oficiais pelo WhatsApp para comunicados informativos, o órgão não encaminha links para regularização nem solicita dados pessoais por esse meio.
Em caso de dúvida, a orientação é procurar diretamente o banco responsável pelo pagamento ou os canais de atendimento da Previdência Social.
Quem precisa realizar a prova de vida
A exigência está relacionada principalmente aos benefícios de longa duração, como aposentadorias, pensões por morte, Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) e auxílio-acidente.
De acordo com o advogado, a idade não é um fator determinante. Pessoas mais jovens também podem receber benefícios prolongados, como ocorre em determinadas aposentadorias especiais ou destinadas a pessoas com deficiência.
Nos casos de auxílio por incapacidade temporária, anteriormente chamado de auxílio-doença, a duração reduzida do pagamento pode fazer com que a comprovação não seja necessária durante o período de recebimento.
Rodrigo explica que seu escritório orienta os clientes desde a concessão dos benefícios, tanto na esfera administrativa quanto na judicial. Quando surgem dificuldades, a equipe também verifica possíveis inconsistências cadastrais ou documentais.
Digitalização reduz deslocamentos e custos
A mudança no sistema também trouxe alterações à estrutura de atendimento da Previdência Social. Com a digitalização, solicitações encaminhadas em um município podem ser analisadas por servidores de outras regiões do país.
Conforme Rodrigo, um pedido realizado por um morador de Gravataí, por exemplo, pode ser avaliado em outro estado, o que contribui para distribuir a demanda e reduzir a concentração de processos nas agências.
O modelo também diminui a necessidade de deslocamentos, especialmente entre pessoas idosas ou com dificuldades de locomoção, além de reduzir despesas administrativas.
Participação nas eleições é considerada
O registro de votação também integra as informações utilizadas pelo INSS. A Portaria nº 1.408, de fevereiro de 2022, reconheceu a participação eleitoral como uma das formas válidas de comprovação, posteriormente incorporada ao cruzamento de dados do governo federal.
Segundo Rodrigo, a medida permite aproveitar informações que já constam em sistemas públicos, sem exigir procedimentos adicionais dos cidadãos.
A votação, entretanto, não é a única possibilidade. Atendimentos de saúde, atualizações documentais e outros registros oficiais também podem ser considerados.
Para verificar a situação do benefício, o segurado pode acessar o Meu INSS ou entrar em contato com a Central 135, que funciona de segunda-feira a sábado, das 7h às 22h.










