
A Delegacia da Mulher de Gravataí remeteu na última semana o inquérito que investigava a morte de uma menina de cinco anos, levada sem vida pelos pais à unidade de saúde Santa Cecília, no bairro Barro Vermelho, em Gravataí. O caso ocorreu no dia 21 de julho.
Desde então, investigadores trabalhavam com as informações de um possível acidente. Conforme os relatos dos pais adotivos, que também estavam em processo de adoção de outras duas meninas – irmãs da vítima, ela brincava no pátio da residência quando havia caído em cima de um tronco.

No entanto, o caso havia ocorrido no dia anterior ao atendimento, o que chamou a atenção do delegado Eduardo do Amaral, que iniciou as investigações. Conforme ele, além da suposta negligência, funcionários da unidade alertaram a polícia sobre a existência de hematomas por todo o corpo da menina. As irmãs, durante os primeiros dias de investigação, confirmaram a versão de que a menina havia caído quando brincava.
Laudos do Instituto Geral de Perícias (IGP) confirmaram as suspeitas dos policiais. A versão dada pelos pais era incompatível com a condição da menina, que morreu por asfixia e espancamento. Além disso, peritos atestaram também que ela foi vítima de violência sexual.

Confissões
Com as comprovações de que a menina havia sido morta e sofria com as constantes agressões, a polícia se concentrou também no depoimento das duas irmãs, que informaram, que por medo dos pais adotivos, não haviam comentado o que de fato ocorreu. Conforme a delegada Karina Heineck, que assumiu a Delegacia da Mulher durante as investigações, elas relataram uma vida de regramentos e punições severas.
“Elas tinham uma rotina de muito trabalho. O casal tinha uma vida simples e por conta da pandemia, em busca de trabalho, saiu da cidade de Três Coroas e veio para Gravataí. Depois, já afastadas deles, elas relataram que tinham medo de contar, mas que sim, eram colocadas em uma rotina pesada de afazeres, com tarefas delegadas e sujeita a punições severas. Ao que tudo indica foi isso que infelizmente aconteceu com a menina”, disse a delegada.
Além disso, policiais também levantaram a vida do casal em Três Coroas, descobrindo que eles haviam desistido de uma outra adoção. Denúncias da ex-professora da menina já apontava indícios de agressões físicas sofridas. “A professora fez o papel dela. Denunciou toda a situação, já que não foi apenas uma vez que a menina chegou com machucado e hematomas no corpo”, ressaltou.
Prisões
Uma ação na manhã do último dia 02 prendeu preventivamente os pais adotivos. A mulher, de 39 anos, estava na casa de parentes, em Três Coroas. Já o homem, de 44, foi detido em Tramandaí. Ambos negaram os crimes e não resistiram a prisão. Com o inquérito remetido eles foram indiciados, além do crime de homicídio qualificado, por estupro de vulnerável e tortura. Se condenados a pena de cada um dos dois pode chegar a 80 anos de prisão.












