
A movimentação de dois circos que estão ‘acampados’ em um terreno às margens da Dorival de Oliveira é intensa. Mas não por conta das apresentações no picadeiro, nem mesmo pelo movimento do público. A entrada e saída constante dos artistas circenses se dá pela tentativa de angariar recursos financeiros para continuar sobrevivendo, já que há cerca de 60 dias, eles vivem na incerteza, sem espetáculos por conta do coronavírus.
Divididos em grupos, eles tentam, nas duas sinaleiras próximo de onde estão instalados, realizar breves apresentações para ganhar os trocados, que depois são divididos entre o grupo. Esta está sendo a rotina dos artistas dos circos Pantanal e Troy, ambos do Paraná e que estavam com apresentações em cidades do RS. No terreno, emprestado até que possam voltar a se apresentar, cerca de 50 pessoas, sendo 12 famílias aguardam o fim dos tempos de incertezas em ônibus adaptados.
“Estamos aqui, fazendo estas apresentações nas sinaleiras, esperando para voltar. Ainda bem que estamos recebendo também algumas doações de alimentos”, disse José de Jesus Feitosa, de 69 anos, sogro do proprietário de um dos circos.
Veteranos da Brigada se mobilizaram

Na tarde desta quarta-feira (06), ele recebeu das mãos dos veteranos da Brigada Militar (BM) de Gravataí cestas básicas. “Nós auxiliamos diversos colegas, amigos e até mesmo famílias que necessitam. Estamos engajados na luta da nossa colega Lúcia, que está internada com câncer. Participamos da arrecadação de um colega que perdeu tudo em um incêndio em Cachoeirinha, até de uma brigadiana que sofreu um grave acidente em Santana do Livramento e estamos tentando ajudar. O grupo tinha sido criado para reivindicações, e acabamos por ajudar o próximo”, destacou o advogado e tenente da reserva João Cabral, ao lado do também sargento Luís Marcolino e do empresário e sargento Claudecir Lemes, responsável pelo Grupo Lemes.
Sorrisos com ar de preocupação
Além disso, o grupo mobiliza outros colegas para que também possam angariar recursos para os circos. Enquanto a ajuda chega de forma tímida, os palhaços, que antes levavam alegria aos picadeiros, hoje não sorriem com tanta frequência, como conta o maranhense, Antônio Carlos, de 43 anos, o palhaço Piu-Piu. “Estávamos bem, trabalhando bastante. Agora não sabemos como vai ser, queremos que isso pare de uma vez. Eu trabalho no circo desde os 12 anos e é isso que eu sei fazer. Não vamos nos entregar”, disse Carlos.
Pronto para ir à sinaleira com os demais colegas de circo, Renan, de 25 anos, o palhaço Choquito, também espera pelo retorno das apresentações e agradece as arrecadações. “Eu tenho um filho pequeno aqui e que já se apresenta comigo. Ele também inquieto, perguntando quando vai voltar. Posso dizer que ele é a atração no circo aqui. Fico triste por essa situação do Covid, se Deus quiser vai passar logo. Nasci no circo, é isso que eu gosto de fazer”, disse Renan.















