Há cerca de duas semanas, o Governo Federal iniciou a terceira etapa da linha de crédito emergencial do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, o Pronampe Solidário RS. A operação é voltada a Pessoas Jurídicas com atuação em locais atingidos pelas enchentes nas cidades em estado de calamidade pública. A Sicredi Origens RS é uma das instituições financeiras que mais tem concedido linhas de crédito por meio do programa na região. Somente em Cachoeirinha, nesse período, já foram liberados cerca de R$ 2,5 milhões pelo Pronampe Solidário.

O gerente de Expansão de Crédito da Sicredi Origens RS, Cristiano Ávila, explica que, desde 26 de setembro, a Cooperativa realizou operações que totalizam quase R$ 12 milhões através do Pronampe com subvenção, que é a opção na qual o empresário obtém um subsídio de 40% no valor contratado, uma espécie de desconto do valor financiado. Ele explica que se o empresário financiar R$ 150 mil, por exemplo, a subvenção será de R$ 60 mil, restando parcelas a pagar sobre o montante de R$ 90 mil. Destaca ainda que a linha de crédito pode ser solicitada até 31 de dezembro ou enquanto houver recursos disponíveis com o Fundo Garantidor de Operações (FGO).
“Para a empresa estar apta ao Pronampe Solidário RS, a matriz deve ter sido atingida pela enchente e estar na mancha de inundação do mapeamento da Dataprev”, ressalta Cristiano, acrescentando que há muitas empresas na região que se enquadram nos requisitos para obter a linha de crédito para capital de giro e ainda não solicitaram o recurso. Para a concessão do Pronampe também é considerado parâmetro o faturamento anual da empresa. No caso do MEI, deve ser de até R$ 81 mil/ano. Microempresas devem faturar até R$ 360 mil/ano e as empresas de pequeno porte até R$ 4,8 milhões/ano.

Independentemente do porte da empresa, o valor máximo que pode ser contratado pelo Pronampe é de R$ 150 mil por CNPJ (limite no programa, uma vez comprometido não pode fazer novas operações), sendo até 60% da receita bruta anual calculada com base no exercício anterior ao da contratação. Exceção para empresas que tenham menos de um ano de funcionamento, em que o limite é de até 50% do seu capital social. O prazo para pagamento é de até 72 meses, com carência de até 24 meses. A taxa de juros máxima é Selic + 6% ao ano.
Empresas situadas em cidades que foram classificadas à época como em “situação de emergência”, podem ter acesso ao Pronampe Solidário RS sem subvenção, que também conta com condições de pagamento atrativas. Mais informações sobre essa linha de crédito para MEI, micro e pequenas empresas podem ser obtidas nas agências do Sicredi (localize aqui).
Um recomeço nos negócios
Há mais de 15 anos, o empresário Luiz Eduardo Lima é associado à Agência Sicredi Cachoeirinha Centro, atualmente gerenciada por Tiago Cardoso da Silva. Junto à instituição financeira cooperativa encontrou a parceria para investir e alavancar os negócios de sua fábrica, a Ritter Móveis, que já completou três décadas de história.

Eduardo trabalhou como bancário de 1987 a 1994 até decidir empreender no mercado de móveis sob medida. Com trabalho e dedicação, a empresa cresceu em estrutura e equipe. De um pequeno terreno passou para um pavilhão na Rua Dona Otília e hoje tem 22 colaboradores. A enchente do primeiro semestre causou, contudo, um forte impacto na Ritter Móveis, que recorreu à Sicredi Cachoeirinha Centro para saber sobre as linhas de crédito que ajudariam neste momento na recuperação do negócio.
Segundo o associado, a água invadiu a fábrica, alcançando a marca de quase um metro, o que ocasionou a perda total do estoque e danos nos maquinários. “Foram 18 dias dentro d’água. Depois, uns 15 dias só limpando. Há máquinas que estão dando problema até hoje”, lamenta Eduardo. “O Sicredi me ajudou na aquisição de uma máquina nova, com o BNDES Reconstrução RS, e agora com o Pronampe”, acrescenta.
Com as linhas de crédito, o proprietário da Ritter Móveis está adquirindo insumos para retomar o trabalho. Ele aponta que o prejuízo com a enchente foi muito grande. “Tudo o que eu tinha produzido no mês de abril se perdeu na água em maio. Todas as vendas que fiz em abril para produzir em maio e junho, não pude fazer. Está sendo um recomeço”, frisa o empresário, que optou por contratar o Pronampe pela necessidade de recursos para reiniciar a produção, a possibilidade de obter o desconto de 40% na operação e as atrativas condições de pagamento.
Fotos: Priscila Milán/Giro de Gravataí














