
Um enredo de filme. Assim resumiu um policial envolvido na ação da manhã de hoje (18) que prendeu uma empresária de 40 anos, apontada pela polícia como a mandante da tentativa de homicídio sofrida por uma advogada, em Gravataí. O crime ocorreu em dezembro de 2018, na casa que a vítima vivia, na região da Morungava – zona rural do município.
O caso ficou insolúvel por quase três anos até que a única pista que os investigadores da Delegacia de Homicídios de Gravataí tinham começasse a revelar a trama. Parte do mistério que envolveu o ataque a advogada, que hoje ainda carrega marcas da fatídica tarde do dia 17, começou a ser desenrolado a partir do depoimento de um rapaz, hoje com 18 anos, que confessou ter sido contratado para o crime.

Ele foi localizado após um trabalho de saturação e troca de informações nas cidades de Igrejinha, Sapiranga e Nova Hartz. No depoimento ele deu detalhes do acordo e alegou que o valor de R$ 4 mil teria sido prometido caso concluísse o serviço, alegando também ter sido chantageado a aceitar o pedido para que uma dívida com traficantes da cidade fosse quitada.
Ainda em seu depoimento, ele confessou que invadiu a casa com o intuito de executá-la e passou a desferir os golpes contra ela, que tentou se defender, ficando ferida nos braços, tórax e cabeça, sofrendo a amputação de três dedos – dois deles reimplantados. Além disso ela também sofreu uma fratura craniana e a dilaceração do ombro direito, diminuindo o movimento do braço. Assustado, ele deixou o local sem saber se havia conseguido concluir o serviço.
Prisão do articulador
A partir do depoimento do rapaz, a polícia fez novos pedidos de prisões, aceitos pela Justiça. No último dia 11, um empresário de 56 anos, morador da cidade de Capela de Santana foi preso preventivamente apontado como o articulador do crime. Conforme apurou a reportagem do Giro de Gravataí, ele foi citado no depoimento do rapaz, e segundo a investigação, mantinha uma relação de negócios com a empresária.

Ele teria se responsabilizado por recrutar o rapaz e trazê-lo até Gravatai. Conforme o próprio suspeito, foi o empresário quem o levou para as proximidades da casa da advogada, minutos antes do crime. O empresário, em seu depoimento, confirmou parcialmente as informações já apuradas pela investigação e revelou que contratou o rapaz a pedido da empresária, presa preventivamente nesta manhã.
Ela estava em casa, às margens da ERS-020, quando os policiais chegaram ao local e deram voz de prisão. Uma arma registrada foi encontrada no local – que também é um comércio da família. Acompanhada de um advogado, ela prestou depoimento na delegacia. A polícia deve concluir o inquérito nos próximos dias. Ainda durante a investigação os policiais concluíram que o ataque não envolveu questões profissionais da advogada, que atua na área criminal.
As circunstâncias para o suposto crime ainda são apuradas. O nome da empresária não foi revelado.












