De acordo com dados do SUS e do Instituto Nacional do Câncer, o Rio Grande do Sul é um dos Estados que mais demandam atenção à prevenção e ao diagnóstico de doenças do trato digestório. Seja pelas características culturais, como o consumo de carne vermelha e chimarrão, seja pelo crescimento da população idosa, exames como endoscopia e colonoscopia se tornam aliados fundamentais para o diagnóstico. Mas por que esses exames são tão importantes e como são realizados?
Endoscopia Digestiva Alta (EDA)
A Endoscopia Digestiva Alta avalia o esôfago, o estômago e o duodeno, que é o início do intestino delgado. É o principal método para a detecção do Helicobacter pylori, uma bactéria que está associada a condições como gastrite crônica, úlceras, câncer, entre outras. Por esse motivo, a EDA é frequentemente indicada para pessoas que apresentem sintomas crônicos de dor no estômago, azia e estufamento.
O exame exige apenas jejum de 8 horas. Durante o procedimento, o paciente utiliza um bocal que mantém sua boca aberta. O endoscópio, um tubo flexível com uma pequena câmera na ponta, é introduzido e, por meio das imagens geradas pelo aparelho, o médico visualiza as estruturas internas. Esse aparelho também possui um canal, pelo qual é introduzida uma pinça endoscópica para a realização de biópsias, nas quais são retirados pequenos fragmentos da mucosa para análise em laboratório de patologia.
Colonoscopia
A colonoscopia é o exame que avalia o reto, o cólon (intestino grosso) e o fim do intestino delgado. O colonoscópio, um tubo flexível com câmera na ponta, é introduzido pelo ânus para que o médico visualize esses órgãos por dentro. O equipamento também possui um canal que permite a introdução de instrumentos para a realização de biópsias e a retirada de pólipos (similares a verrugas), entre outros procedimentos.
Como o exame avalia o intestino grosso à procura de pequenas alterações na mucosa, é necessário que não haja resíduos no intestino. Por esse motivo, no agendamento, o paciente receberá orientações quanto à dieta (dois dias antes) e ao uso de laxativos (um dia antes) como parte do preparo.
Uma das principais indicações de colonoscopia é a prevenção do câncer de cólon. Esse tipo de neoplasia é a terceira mais comum no Brasil, com mais de 60% dos casos diagnosticados em estágios avançados. Sabe-se que a maioria desses tumores se desenvolve a partir de lesões benignas (pólipos), que podem ser removidos durante o exame.
A incidência do câncer de cólon vem aumentando em pessoas mais jovens (com menos de 50 anos) no mundo todo. Por esse motivo, a maioria das sociedades médicas tem recomendado o início do rastreamento a partir dos 45 anos em pessoas sem fatores de risco.
Como são realizados os exames
A sedação é administrada por um médico anestesista, que acompanha o procedimento. Esse monitoramento inclui a avaliação da oxigenação, da pressão arterial e dos batimentos cardíacos.
Após o procedimento, o paciente é levado à sala de recuperação, onde recebe um lanche e, cerca de 30 minutos depois, é liberado na presença de um acompanhante. Como a sedação pode, eventualmente, ter efeitos mais prolongados, nesse dia não se deve trabalhar, dirigir ou realizar atividades físicas.
Para a realização de endoscopia e colonoscopia com qualidade, os pilares fundamentais são: sedação, aparelho e equipe médica. A sedação adequada mantém o paciente seguro e permite a execução do exame sem intercorrências. Já o equipamento de endoscopia em boas condições é essencial, pois se trata de um exame de imagem e, assim, a resolução da tela impacta diretamente a identificação de possíveis alterações. Além disso, a habilidade técnica do médico para executar o exame e identificar o que precisa ser avaliado ou tratado é fundamental para o diagnóstico e a prevenção almejados.
Realizar esses exames em ambiente hospitalar faz diferença. Isso porque há maior segurança para o atendimento de raras intercorrências, pois há disponibilidade de bloco cirúrgico e UTI dentro da própria instituição. Além disso, a experiência de toda a equipe médica e de enfermagem, que está habituada a situações mais complexas, possibilita uma atenção redobrada. No Hospital Dom João Becker, contamos com equipe de anestesia para sedação, aparelhos de endoscopia com alta resolução de imagem e equipe médica altamente qualificada. Converse com o seu médico se já é o momento de realizar uma EDA ou colonoscopia. Afinal, a prevenção é essencial para a qualidade de vida!
*Dra. Mariana Fonseca é gastroenterologista do Hospital Dom João Becker. A médica foi a entrevistada de ontem (22/9) do Papo de Saúde. Clique aqui para assistir ao programa.














