Uma corretora imobiliária de Gravataí perdeu cerca de R$ 1,8 milhão em plataformas virtuais de apostas, conhecidas como bets nos últimos três anos. O caso foi revelado pela Revista Piauí em uma reportagem que investiga como influenciadores digitais atraem jogadores para esses sites e os riscos associados ao vício em apostas. O nome dela não será divulgado nesta reprodução.
Segundo a reportagem, a corretora foi influenciada por conteúdos no Instagram, onde uma influenciadora com mais de um milhão de seguidores, que hoje também reside em Gravataí, intermediava por meio de outra influenciadora cursos sobre como obter lucros com jogos, especialmente o Aviator, popularmente chamado de “aviãozinho”. Inicialmente, a corretora teve ganhos expressivos, incluindo uma aposta que rendeu mais de R$ 70 mil.

Na época, ela tinha uma situação financeira estável, com rendimentos de aproximadamente R$ 15 mil mensais como corretora. Contudo, as vitórias iniciais alimentaram apostas de valores crescentes, levando a perdas financeiras significativas e à necessidade de contrair empréstimos bancários.
Em um único dia, a corretora chegou a apostar mais de R$ 100 mil. Além de liquidar bens e contrair dívidas, ela também investiu em patrocínios para sustentar o vício. A história expõe como as plataformas de apostas, promovidas por influenciadores digitais e celebridades, têm gerado prejuízos financeiros e emocionais a muitos usuários.
A matéria da Revista Piauí destaca o impacto das bets no Brasil e traça os caminhos políticos da regulamentação do setor. Segundo a publicação, há dois tipos principais de plataformas de apostas: os jogos como Aviator, Balloon e Fortune Tiger, que simulam depender da habilidade do jogador, mas operam, de fato, como jogos de azar; e os palpites esportivos, geralmente focados em partidas de futebol, com apostas que abrangem desde o placar até eventos específicos, como cartões ou gols contra.
Dados do Banco Central revelam que, apenas nos primeiros oito meses do ano passado, 24 milhões de brasileiros gastaram, em média, R$ 20,8 bilhões por mês nas bets. O levantamento contabiliza somente pagamentos via Pix, excluindo outras formas de transação. A influência das apostas digitais também afeta programas sociais como o Bolsa Família, com cerca de R$ 3 bilhões repassados para plataformas de jogos online no mesmo período.
A reportagem da Piauí ainda menciona os altos cachês pagos a influenciadores e celebridades para promover as apostas, como Carlinhos Maia, GKay, Maya Massafera, Virgínia Fonseca e o ator Cauã Reymond, reforçando a necessidade de regulamentação e fiscalização mais rigorosas no setor.













