Em Gravataí, falar sobre segurança das mulheres é falar sobre uma realidade que está muito próxima de nós. Entre janeiro e agosto de 2026, dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul registram no município 556 casos de ameaça contra mulheres, 262 de lesão corporal, 53 de estupro e quatro tentativas de feminicídio.
Mais do que estatísticas, esses números reforçam a necessidade de iniciativas que promovam prevenção, acolhimento, respeito e fortalecimento feminino. Na Academia Kulmann, essa transformação já pode ser percebida no tatame.
Atualmente, as mulheres representam cerca de 40% dos alunos e são maioria entre os competidores da academia. É uma presença feminina expressiva em um esporte que, durante muito tempo, teve seus espaços ocupados predominantemente por homens.
O jiu-jítsu vai muito além da competição. A prática desenvolve confiança, consciência corporal, percepção de risco e técnicas de defesa pessoal — ferramentas que podem contribuir para que a mulher se sinta mais preparada e segura dentro e fora do tatame. Mas falar em defesa pessoal também exige responsabilidade. Não basta ensinar uma mulher a se defender: é preciso oferecer a ela um ambiente onde se sinta segura para aprender.
Com esse propósito, a Academia Kulmann é pioneira no Rio Grande do Sul na utilização de um aplicativo voltado à segurança das alunas, por meio do qual situações de importunação ou desconforto podem ser comunicadas.
A academia também possui outro importante diferencial: conta com a única mulher certificada no Rio Grande do Sul na certificação Women Friendly, voltada à promoção de um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para as mulheres. Essas iniciativas mostram que incentivar a presença feminina no jiu-jítsu significa ir além de abrir as portas do tatame. Significa criar condições para que mulheres possam treinar, competir, evoluir e ocupar seu espaço com segurança e respeito.
O jiu-jítsu não é uma solução isolada para a violência contra a mulher, mas pode ser uma importante ferramenta de autonomia, autoconfiança e fortalecimento. Cada mulher que entra no tatame aprende técnicas de luta. Mas aprende também algo que pode carregar para a vida: reconhecer seus limites, confiar na própria força e compreender que respeito não se negocia.
Dentro e fora do tatame, lugar de mulher é onde ela se sente forte, segura e respeitada.
*Juliana Feijó é atleta de jiu-jítsu e faixa preta da Equipe Kulmann.













