Em um mercado tradicionalmente estruturado sob contratos fechados por metro quadrado — modelo que reúne em um único valor o custo da obra, a margem da construtora e a carga tributária incidente sobre o faturamento total — a Eco Home – Gestão de Obras consolidou seu posicionamento ao romper com essa lógica predominante e estruturar um sistema baseado na gestão integral e separada dos projetos.

No formato convencional, o cliente paga um valor global sem distinção clara entre o que representa efetivamente investimento em materiais e serviços e o que corresponde à remuneração da empresa, o que pode elevar a carga tributária e reduzir a transparência financeira do processo. Ao migrar para a gestão de obras, a Eco Home passou a segmentar formalmente os custos diretos — como insumos, fornecedores e mão de obra terceirizada — da taxa de administração, criando um modelo mais rastreável e previsível.
A mudança representou uma reestruturação técnica, financeira e operacional que alterou a dinâmica de relacionamento com o cliente e reposicionou a empresa no segmento de construção residencial em condomínios fechados, deixando de atuar apenas como executora para assumir um papel estratégico na organização e no controle do investimento imobiliário.
Fundada em 2014, a Eco Home surgiu como construtora, atuando inicialmente de forma agregada ao portfólio de serviços da imobiliária Elleva. Naquele momento, o foco estava voltado ao segmento imobiliário popular, especialmente dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. A proximidade com a comercialização de terrenos e imóveis permitiu à empresa acompanhar de forma direta o comportamento do comprador e as mudanças no perfil da demanda.
Foi nesse contexto que a direção percebeu um desalinhamento estrutural no modelo tradicional. No sistema por metro quadrado, todo o valor da obra é faturado como receita da construtora, ainda que parte significativa represente apenas repasse para fornecedores e aquisição de insumos. Essa prática eleva a carga tributária incidente sobre o contrato e reduz a clareza para o cliente sobre o destino real dos recursos investidos.
Segundo o sócio-diretor Dieison Silva, a decisão de migrar para a gestão não foi uma aposta de curto prazo, mas uma leitura estratégica do mercado. “Nós percebemos que o cliente de condomínio fechado não estava buscando apenas preço, mas previsibilidade e clareza. O modelo tradicional concentrava tudo em um número final e isso dificultava o entendimento real da composição da obra. Ao separar custos e remuneração, deixamos de trabalhar com uma lógica fechada e passamos a operar com um sistema transparente, onde cada escolha impacta diretamente o orçamento. Isso exige mais organização interna, mas eleva o nível de maturidade da relação com o cliente.”
A solução encontrada foi migrar para a gestão de obras. Nesse formato, a empresa separa formalmente os custos diretos — materiais, mão de obra terceirizada, fornecedores e insumos — da taxa de gestão. O cliente paga os custos da construção de forma rastreável, enquanto a empresa é remunerada pelo gerenciamento técnico e administrativo do projeto.
A mudança impacta três pilares centrais: transparência financeira, carga tributária e previsibilidade orçamentária. Ao não faturar o montante total da obra como receita própria, a empresa reduz o impacto tributário embutido no contrato e amplia a rastreabilidade dos valores aplicados.
De acordo com o diretor executivo Leandro Cunha, o modelo exige mais estrutura técnica do que o sistema tradicional. “Gestão não é ausência de controle, é controle ampliado. Quando você separa custo e taxa de serviço, precisa ter processos muito bem definidos, acompanhamento diário e organização rigorosa. Nós estruturamos relatórios, sistemas de controle e acompanhamento financeiro que permitem ao cliente visualizar cada etapa da obra. O resultado é um ambiente de confiança e previsibilidade. A construção deixa de ser uma incerteza e passa a ser um processo gerenciado.”
Essa reestruturação exigiu, internamente, um reforço na organização administrativa e financeira. A gerente administrativa Thainá Silveira, que deixou a carreira bancária para atuar integralmente na empresa, passou a estruturar controles mais rígidos sobre fluxos de pagamento, cronogramas de desembolso, prestação de contas e organização dos ativos vinculados a cada cliente.
A experiência no setor bancário contribuiu para a implementação de rotinas de conciliação, relatórios padronizados e acompanhamento detalhado de cada movimentação financeira da obra. O modelo exige precisão documental e disciplina operacional, já que o controle deixa de ser global e passa a ser fragmentado por etapas, fornecedores e cronogramas físicos e financeiros.
A consolidação do formato também levou a uma decisão estratégica: limitar o número de obras simultâneas. Atualmente, a Eco Home atua exclusivamente em condomínios fechados e mantém uma média de aproximadamente 12 projetos por ano. A escolha visa preservar padrão técnico, organização e acompanhamento próximo, evitando expansão baseada apenas em volume.
O posicionamento ocorre em um cenário favorável. A expansão de condomínios horizontais e novos empreendimentos residenciais na região metropolitana mantém aquecida a demanda por construções personalizadas. Nesse nicho, previsibilidade financeira e controle técnico tornaram-se fatores decisivos para famílias que optam por construir em vez de adquirir imóveis prontos.
Outro diferencial estruturado é o sistema de pós-entrega. A empresa realiza revisões técnicas seis meses e um ano após a conclusão da obra, orientando proprietários quanto à manutenção preventiva e ao uso adequado da residência. O procedimento reduz riscos de patologias construtivas e fortalece o vínculo de longo prazo com o cliente.
Atualmente, a maior parte dos contratos surge por indicação direta, reflexo da consolidação do modelo e da reputação construída nos últimos anos. A empresa não adota estratégia agressiva de captação, concentrando esforços na execução técnica e na organização interna.
Outro elemento que contribui para o crescimento da Eco Home é a atuação da Elleva Imobiliária, que se consolidou como referência no mercado da região. A integração entre as empresas permite que clientes que procuram novos terrenos ou imóveis sejam naturalmente direcionados à etapa de construção, criando um ecossistema mais eficiente e integrado.
A empresa também projeta um movimento de expansão para os próximos anos, embora ainda não revele detalhes sobre como esse crescimento será colocado em prática. A direção afirma que o planejamento está sendo estruturado com cautela, tendo em vista o cenário econômico, as demandas do mercado e o compromisso de manter o padrão de qualidade que consolidou a marca.
A Eco Home também mantém presença ativa nas redes sociais, por meio do perfil @ecohomegestao, onde divulga projetos e novidades, além de contar com uma central de orçamentos online para atendimento direto ao público. O atendimento presencial ocorre na Rua Francisco Tafas, 42, Centro, em Gravataí (CEP 94020-020), endereço que concentra as atividades administrativas e o suporte aos clientes.
Fotos: Elisama Telles/Giro de Gravataí/Especial


















