Registros pontuais feitos por consultores ambientais – alguns deles integrantes do projeto de conservação Felinos do Pampa — revelam, ao longo dos últimos cinco anos, a presença de espécies típicas do Pampa gaúcho em fragmentos de mata que ainda resistem na área urbana de Gravataí. Entre os animais flagrados pelas câmeras, instaladas pelo biólogo Felipe Peters, estão o tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), ratão-do-banhado (Myocastor coypus), graxaim-do-mato (Cerdocyon thous), gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus) e o raro gato-maracajá (Leopardus wiedii), ambas espécies de felinos ameaçadas de extinção.
Esses flagrantes ocorreram em áreas de vegetação nativa preservada dentro do município, onde fragmentos de mata ainda oferecem abrigo e rotas de deslocamento para animais silvestres. Locais como a Estrada da Mangueira e as imediações do Seminário São José estão entre os pontos com maior ocorrência de registros.
Para o ativista e pesquisador Alan da Costa Silva, que também integra o projeto Felinos do Pampa, o registro desses animais é um alerta para a necessidade de atenção especial à conservação dessas áreas. “A gente tem um olhar especial para os felinos, porque no Brasil hoje, praticamente todos estão ameaçados de extinção. No Pampa, todos estão. Quando conseguimos filmar um gato-maracajá ou um gato-do-mato-pequeno nesses pontos, entendemos que essas áreas precisam ter um cuidado redobrado, porque esses animais correm sério risco de não existir daqui a alguns anos”, explica Alan.
Segundo ele, tanto os felinos quanto o graxaim, também registrado, desempenham papel fundamental no equilíbrio do ecossistema, atuando como controladores naturais de pragas. “Eles se alimentam de roedores, mantendo as populações sob controle. Já o gambá, por exemplo, é um animal importante para o nosso ecossistema local porque se alimenta de serpentes e escorpiões. São mamíferos que ajudam a manter a cadeia de animais sempre em um volume equilibrado”, detalha.
Alan destaca ainda que, confinados em pequenas “ilhas verdes” cada vez mais cercadas por áreas urbanizadas, esses felinos enfrentam grandes desafios para sobreviver. “Estamos iniciando um trabalho para mapear esses felinos na Região Metropolitana do Rio Grande do Sul e tentar entender como esses pequenos fragmentos de mata ainda conseguem sustentá-los. Já temos registros em Cachoeirinha, Gravataí e Porto Alegre, mas queremos entender até quando eles conseguem resistir, porque cada vez mais essas matas estão fragmentadas, o que aumenta o risco de atropelamentos e conflitos com áreas urbanas”, alerta.


















